Paulo Afonso-BA: CHESF abandona e encurrala povo da cidade. A volta do Muro da Vergonha… 

Nas décadas de 70 e 80, até meados de 1990, a capital da energia era conhecida como a cidade do muro e duas cidades! Uma vergonha para o país!

    Antigo muro da VERGONHA

O cantor e compositor Luiz Gonzaga cantava em prosas e versos as forças das águas das cachoeiras. Talvez por inocência, a canção já tratava com certa indiferença os peões dos engenheiros, porém todos com a mesma função: levar energia para o Nordeste, o Brasil vai… a CHESF era a mãe de todos os sonhos do povo, porém com significante restrição humana aos mais pobres, os moradores da Vila Poti, eram os “cata-ossos”.

O que sobrasse de ruim jogava para o outro lado do muro.

Dentro do próprio muro da segregação existia regimes autoritários: aos médicos e doutores, um clube de elite, CPA-Clube Paulo Afonso com piscinas, quadra de tênis, etc… na área da peãozada, o COPA-Clube Operário Paulo Afonso, Clube dos Operários, um salão de festas, uma quadra de esportes e nada mais.

As mazelas da discriminação estão enraizadas nos primórdios da empresa. Para o povão que chegava de toda parte do Brasil, restava a famosa Vila Poti, construída do lado oposto ao “muro da vergonha”, com casas de taipas e coberturas de sacos de Cimento Poti, o que originou o nome do bairro.

Castro Alves, em seu poema, já dizia:

A cachoeira! Paulo Afonso! O abismo!
A briga colossal dos elementos!

Exaltando as belezas, mas ele não imaginava o tamanho do abismo que a madrasta CHESF deixaria de herança às futuras gerações.

Eis que a verdade do poema vem se confirmando a cada dia, com ações nefastas e de perseguições ao povo de Paulo Afonso. Triste em saber que as canções e os poemas de louvores da CHESF estão se transformando em um filme de terror para os ribeirinhos que trabalham e residem às margens do velho Chico.

A atual administração da empresa vem implantando sistemas cada vez mais perversos ao nosso povo, segundo informações da administração de Paulo Afonso, são ordens da ANEEL maltratar moradores, comerciantes, pescadores e prejudicar a economia do município de Paulo Afonso com a reconstrução de muros e nos impedir o direito de transitar para nossas casas e nossos trabalhos.

O muro do dique é a maior humilhação para nossa comunidade. Sem consulta prévia, sem diálogos, simplesmente está sendo erguido. Ai de alguém contestar! Isso porque os “os supostos donos da empresa”, representados por uma equipe administrativa da CHESF, convocaram alguns comerciantes prejudicados para uma reunião na antiga escolinha e disseram que será assim mesmo e que o máximo que podem oferecer é uma chave de um imenso portão para alguns terem acesso às suas residências ou áreas de trabalho. Quanta truculência!

Durante anos, as áreas que margeiam as barragens em Paulo Afonso e cidades que têm complexo da CHESF foram invadidas por construções imponentes e nada foi feito para impedir. Grandes áreas comerciais foram erguidas para alavancar o turismo, como nas margens da Barragem de Xingó. A CHESF fechou os olhos para os poderosos e agora em um ato desumano quer punir os pequenos e desprotegidos moradores e pequenos empresários da Prainha do Candeeiro. Onde está a prefeitura de Paulo Afonso? Onde estão os políticos que nos representam na esfera federal e estadual? Onde estão os vereadores da cidade?

A situação é triste e lamentável, poderá ocorrer uma grande onda de perda de empregos e fechamento de varias empresas que estão gerando empregos naquela área. Será que a “madrasta” vai, pelo menos, fornecer os caixões para enterrar seus filhos indigestos?

O site tentará contato com a administração regional, com o senhor Mário Jorge (APA), para encontrar soluções e não deixar que os moradores da Prainha do Candeeiro fiquem abandonados. JUSTIÇA JÁ!